Nos últimos 3 dias, os passados em LA, não deu para vir à net- andámos sempre a correr, e a net paga-se aqui no hostel. Agora, na últimas horas nos States em que nos despedimos desta viagem, teve de ser -já não sei é se me lembro de tudo.Sei do que me lembro- de, em 1993, ver um filme chamado Point of No Return, ou A Assassina, com a Bridget Fonda, sobre uma rapariga que matava um polícia e lhe davam a escolher a pena de morte ou trabalhar para o estado como assassina. Quando aceitou, 'limparam-na', tiraram-na das drogas, ensinaram-lhe maneiras, deram-lhe um novo nome, uma nova vida, um novo começar, e uma casa em Venice Beach, LA. Eu tinha 17 anos e a cena em que ela se muda para Venice Beach pareceu-me tudo o que eu mais queria na vida: uma casa mesmo em frente a uma praia lindíssima, com palmeiras, pessoas a passar de skate, de bicicleta e a correr, casas às cores, um pôr do sol maravilhoso, e tudo isto a tocar o Feeling Good da Nina Simone, que aprendi a amar nesse dia, como banda sonora de uma vida nova, simbolizada na cena.Não foi, por isso, sem entusiasmo que ao procurar sítios na net para ficarmos em LA, percebi que o mais acessivel e bem localizado era mesmo em Venice Beach. De novo, providencial. Após 3 dias aqui, ainda sei que apesar de tudo se um dia viesse para LA era aqui que ficava. Infelizmente, Venice foi-se degradando com os anos, e tem agora muitos vagabundos, muita sujidade e lixo- mas isso gde parte de LA , excepção claro a Beverly Hills e Bel Air tem, não sei o que este mayor tem na cabeça mas manda limpar uma metrópole com 20 milhões uma vez por semana e depois até no passeio das estrelas há lixo...Ainda assim, Venice Beach é para mim mítica, e continua como sempre a sonhei, as casas às cores, os hippies e artistas, os arcos antigos dos prédios, as praias lindas, as pessoas a correr e andar de bicicleta, as lojas, o Feeling Good da Nina Simone a tocar na minha cabeça.De resto, nestes 3 dias em LA, procuramos explorar ao máximo e entender esta Cidade dos Anjos o melhor possível, e creio que até certo ponto conseguimos. LA é muito espaçosa, é tudo longe, é preciso ir de carro para todo o lado, e se eles vão, e se adoram os seus carrões, e os usam sempre, pelas dezenas de interstates que se cruzam, e têm 8 faixas, uma só para carpool, tudo à grande, tudo irreal. Estacionar em LA não é facil, conduzir é uma aventura, chega a ser divertido.Também é verdade que se vêem mesmo actores, a serio que vêem, que tenhamos reconhecido vimos pelo menos 2, de séries cujo nome não nos lembramos. Mesmo quem não é actor , das duas uma ou quer ser ou parece associado ao mercado, a cidade gira mesmo à volta disto, e lá andam eles pela rua, os actores ou wannabees, com os seus bonés e óculos de sol, e nos cafés fala-se mesmo de guiões e de produtoras e de actores no desemprego.Querendo ser actores, tb são todos bonitos, são. Bonitos, bem vestidos, altos, magros, eles e elas. Aliás, percebemos finalmente porque na América profunda, por onde andámos, havia tantos obesos- para LA, emigrou a beleza e a perfeição. Nao deve ser fácil viver com estes padrões.
Mas procurámos ver o mais possível, e no primeiro dia andámos uns 10 km a pé, ainda meio ingénuos com as distâncias. Fomos espreitar os Universal Studios, fizémos a Hollywood Boulevard, com o passeio das estrelas e Kodak Theatre (dos óscares), a Sunset Blv, a Sunset Strip, parte de Beverly Hills, a Santa Monica Blv, e ainda fomos, já mortos e de carro, espreitar Mulholand Drive, uma loucura. Tudo com muitos contrastes- no passeio das estrelas há o tal lixo e os vagabundos com o seu carrinho de compras, afastamo-nos um pouco para Bel Air e é só mansões e verde- tudo muito fora, tudo muito louco. Acabámos a noite no Santa Mónica Pier, lindo, cenário de milhares de filmes, e num bar, claro está, cheio de fotos de famosos.
No 2º dia, aproveitámos a manhã para conhecer melhor a 'nossa' Venice Beach e ainda fomos espreitar a downtown, já uma outra realidade,uma outra LA (há muitas LAs diferentes em LA), com os seus edifícios altos, e o auditório do Gherry. Almoçámos em Farmer's Market, um quarteirão muito giro tipo centro comercial ao ar livre com comida e lojas, e atravessámos Melrose Blv, as suas lojas de tattoos e roupa vintage (para eles vintage é mm segunda mão). A noite foi perfeita- cerveja num bar gay (lol) em Sunset a ver os Lakers serem campeões da costa oeste, jantar no Rainbow, bar que ficou conhecido por lançar os Guns N'Roses, espreitar o Whiskey Go Go, que ficou conhecido por lançar os Doors, e ver concertos de bandas desconhecidas- que saudades de ter isto em Portugal- no Viper Room, antigo bar do Johnny Depp que ficou conhecido por motivos que prefiro não lembrar. Na sala de baixo do viper, a acústica, um senhor, John Troi ('Troi with an I, like in the Brad Pitt movie but without the blonde hair') cantava, com letras complicadas e irónicas, a vida dura de um cantor em LA há 30 anos, a vida da cidade. Adorei.
Hoje, 3º dia, fomos explorar as praias- a sul, Long Beach, Newport Beach e Laguna, a norte, Willy Rogers e Malibu. De novo fiquei doente de roida de inveja com as casas em cima do mar, frente à praia, algumas mesmo em estacas de madeira sobre a água, e o verde, sempre o verde e os montes (the hills é mesmo um bom nome para LA, é toda aos montes), e as praias com os seus pontões lindissimos, e as casinhas às cores, as barracas para os nadadores salvadores, mesmo à Baywatch.
LA não é, de perto nem de longe, uma cidade perfeita, mas é uma metrópole completamente fora com muita muita praia à mão de semear- e por isso merece toda a mística que sempre teve; e que filmes como A Assassina incutiram em miúdinhas como eu.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Sem comentários:
Enviar um comentário