quarta-feira, 12 de maio de 2010

'It's not about the destination, it's about the journey'

Dias 8 e 9 na estrada

Os últimos 2 dias foram de estrada pura e dura, tal como no início, tal como eu gosto - route 66 sempre que possível, interstate so em sos, atravessar terras, parar em diners antigos, conhecer cidades que até podem consistir numa tenda gigante de vendas de artesanato índio, ou em meia duzia de casas abandonadas e dezenas de móteis vintage de estrada. Para quem não sabe, a route 66 foi construida nos anos 30, e viria a ser vítima do seu próprio sucesso: era uma estrada tão concorrida que decidiram fazer uma interstate literalmente ao lado, por vezes a cortá-la, votando por um lado mtas small towns ao abandono, mas sobretudo sem entenderem que não era do percurso que as pessoas gostavam e procuravam- era mesmo daquela estrada mística. Depois da 'asneira' feita, pouco havia a fazer, a não ser o que se tem tentado: recuperar as pequenas cidades uma a uma, pôr novas placas para os novos viajantes, tentar recuperar a estrada e a vida à volta dela.
Tudo isto para dizer que nem sempre é possivel ir pela Route 66, e muitos viajantes que fazem este percurso, fazem-no pela interstate- é mais rápido, direto, e mtas vezes, de facto é mm ali ao lado. Mas nós viemos fazer a Route 66, e se calhar para desespero dos meus co-viajantes, à custa de algumas voltinhas e mto nariz enfiado no mapa é assim que temos feito, sem arrependimento. Não é a mesma coisa pela interstate, é no atravessar de terrinhas de lojas de souvenirs de museus de diners que está a magia, é na route que estão as melhores paisagens, os melhores momentos, como já tive oportunidade de dizer. Por isso, os últimos 2 dias foram de route, mas já com um sabor a nostalgia triste (st louis e oklahoma já parecem tão longe), a saber a perto do fim de algo mto importante. Isto porque a partir de aqui é sempre a abrir- Grand Canyon, Vegas, Big Sur e LA, sítios que sempre sonhámos ver, e ainda apanhamos mtos troços da route 66, mas são desvios, é menos. Isto porque foi mesmo pela Estrada Mãe como lhe chamam que me apaixonei. Vesti a camisola procurei entender a sua historia, entende-la, e às pessoas que lutam há 70 anos, em várias gerações, para mantê-la viva para que muitos possam continuar a experienciar esta viagem que muda mesmo uma pessoa. Mais do que tudo, é mesmo da Route 66 que vou ter saudades.

Dia 8- Santa Fé- Holbrook (mais de 360 milhas)
Acordámos em Santa Fé, e é de facto uma cidade magnífica: mais de 400 anos, uma das mais velhas do país, prédios todos em adobe, terra que já foi dos índios, dos espanhóis, dos mexicanos e dos americanos, uma igreja de São Francisco de Assis, considerada pela UNESCO 'Creative City of Folk Art'. Foi, por isso, bem gasta uma manhã nas ruas, casas, artesanato local, que é imenso. Daí para a fte e até Holbrook, tentámos então passar em todos os troços possíveis de route -incluindo Albuquerque, muito fixe-, e deixámos o Novo México para trás banhados por um por do sol lindíssimo, num troço de estrada completamente overwhelming, sem palavras, rodeados de desfiladeiros, um daqueles momentos místicos indescrítiveis, quase religiosos. Em Holbrook, já no Arizona, com mais uma hora ganha (estamos já a -8) e depois de uma espreitadela a um parque de árvores petrificadas, dormimos no Wigam, motel conhecido por os quartos serem teepees (tendas de índios), e foi mesmo numa que ficámos.
Dia 9-Holbrook- Flagstaff
O caminho que nos esperava hoje não era longo, mas o objectivo era mesmo ficar o mais perto possivel do Grand Canyon. Entre Holbrook e Flagstaff , tentamos fazer o máximo de route 66 possivel, mas no Arizona ela está muito estragada e tem de se entrar e sair da interstate constantemente. Assim foi, e ainda conseguimos correr as terras todas- o jackrabbit trade office, com um coelho gigante, geronimo, winslow e ir visitar uma cratera de um meteorito, a primeira a ser descoberta no mundo e a melhor preservada (e onde filmaram o Starman com o Jeff Bridges, um dos meus filmes preferidos em miúda)
Chegados a Flagstaff, onde estamos numa espécie de hostel downtown mto louco (para variar dos moteis na estrada) as impressões são ótimas, de repente a paisagem mudou para montanhas com neve (os San Francisco Peaks) e pinheiros altos, gente nas ruas, luzes de natal e parece que estamos numa cidade-estância de inverno, até já nevou um pouco e tudo. Parece twin peaks, parece inverno, parece um time e space warp de tudo o resto que vimos. E amanha, grand canyon. (Já com saudades das tempestades dos saloons das panquecas da água sempre a ser servida nos diners, do cafe idem, do 'have a good day' de despedida em todo o lado, dos jackrabbits, dos comboios de mercadorias a atravessar as cidades, dos lagartos das setas indias dos esquilos das planices dos canyons arvores petrificadas da 'minha' route 66).

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