domingo, 16 de maio de 2010

The Pacific

Dia 13 na estrada (domingo, 16 de Maio)

Há encontros providenciais (ou não, espero que este se venha mesmo a revelar que sim).
Em Santa Fé, conheci 2 arqueólogos com quem falei sobre a nossa viagem, e só diziam: 'o nosso país tem belezas escondidas, é um grande pais a descobrir, a vossa rota é linda mas estão tão perto da mais bonita zona e estrada de todas, não a percam'.
A estrada é a 1, que desce de San José a Los Angeles sempre pela costa mesmo junto ao mar, atravessando o Big Sur que sempre quisemos ver, pelo que decidimos fazer um último desvio desta já vasta viagem: em vez de ir de Vegas directos a LA, já a ultima paragem antes do avião de regresso (a Route 66 acaba em Santa Mónica), e onde só tinhamos hotel marcado a partir de 2.ª, subir antes para Monterey, para fazer esse percurso da estrada 1. 600 km e algumas horas de estrada depois (com paragem em Barstow para um ótimo almoço de domingo com a MELHOR tarde de chocolate e morango do MUNDO), é em Monterey que nos encontramos agora para dormir, e já valeu a pena: vindos de Vegas e a passar do Nevada para a California, atravessamos a barreira policial do controle de fruta de entrada no estado, a cidade mais quente dos EUA, chamada Needles, a terra de Bagdad, que deu nome ao filme Cafe Bagdad (isto tudo ao longe, já que iamos pela interstate). E de repente passa-se da paisagam árida do deserto Mojave, linda, com direito a Joshua Trees e tudo, para uma vista igualmente linda mas totalmente diferente, de laranjeiras, de verde, de dunas com ervas como se fossem de peluche, de clima mais fresco, de vinhas e mais vinhas, em Paso Robles e Fresno, e sitios de wine tastery (como no Sideways, hummm).
A California é lindissima, como um Alentejo mais vasto e se possivel ainda mais espectacular.

It's Vegas baby, yeah!

Dias 11 e 12 na estrada (14 e 15 de Maio, 6.ªf e sábado)

Acordámos dia 14, 6ªf, em Williams (onde dormimos num Super 8 motel onde fui picada por MIL bed bugs, bahhh), entusiasmados com Las Vegas, (o Nuno entusiasmado, as meninas com ânsia, mais na expectativa ;)). Até chegar a Sin City, numa estrada sob calor abrasador, já pelo deserto, ainda passámos em Kingman, e na belíssima Hoover Dam (ou como dizemos Hover Dammmmmm!!, onde havia policia por todo o lado, não fosse um maluco explodir com aquilo ), ainda em Boulder City, cidade criada para albergar quem construiu a barragem.

Depois, e de repente, foi como sempre ouvimos que seria; ao virar de uma curva, numa súbita descida, rodeados de rochas e desertos, vimos pela 1.ª vez Las Vegas. Um vale de hotéis e arranha-c+eus (os casinos), como se de um muito estranho Oasis no deserto se tratasse. Indescrítivel.

Vegas foi tudo o que imaginávamos, é todos os clichés- incluindo e sobretudo o de que primeiro estranha-se, depois entranha-se. A primeira reacção é de choque total, quase claustrofobia ou rejeição, perante um sítio com tantos casinos, tantas tantas luzes, tanto barulho, tantas pessoas. Chega a apetecer fugir, a sério. É muito e não é assim tão naif, os casamentos nas capelas etc, é tudo planeado, é tudo a abrir, é tudo muito, muito tudo.

Depois começa-se a ver com atenção e, passado o choque, descobre-se Vegas pelo que ela é.

É mesmo Sin City, um parque de diversões gigante para adultos, um sítio onde tudo ou quase tudo é permitido, onde há diversão cor e luz para todos os gostos, onde tudo é caro, é literalmente como se fosse um playground para crianças grandes- um sítio com mulheres bonitas, jogo, copos, casinos a imitar cidades europeias e caças ao tesouro, onde todos vão para se divertir e gastar dinheiro, é a loucura. É uma cidade onde se pode não sair do casino onde se fica instalado (os casinos têm hoteis, lojas de luxo e outras, piscinas, restaurantes, cafés, buffets, tudo). Nós ficamos no Plaza, em grande, um hotel-casino com piscina frente a Fremont Street (rua coberta que tem animação e espectáculos constantes, incluindo na cobertura). O Nuno ainda entrou num torneio de póquer e ficou em 3º!

Mas é na Strip, a mega avenida dos casinos, que tudo se passa. Estamos a falar de uma rua, uma só rua, onde os autocarros demoram 1h30 a fazer os cerca de 4km, tal é o trânsito e a quantidade de pessoas a circular, onde se ve gente de todos os géneros e paises, misturadas com noivas, despedidas de solteiros, onde há várias lojas de empréstimos para bails (fianças para quem acaba preso), gift shops (uma que promete ser a maior do mundo) sem limites (o souvenir mais louco era um baby grow a dizer´: 'I'm what happened in Vegas!'), bares, é inacreditável. Em Vegas visitam-se casinos como se visitam museus ou palácios e o pior é que são mesmo brutais, luxuosos, gigantes, e deixam todo o pé rapado de chinelo entrar. Corremo-los quase todos, assombrados pela sua beleza e imponência, o Belaggio com os seus espectáculos de fontes como se via no Ocean's Eleven, o Flamingo, o Venetian com canais a imitar Veneza, o Treasure Island com barcos de piratas, o Ceasar's Palace com as estátuas, o New Yorker com uma estátua da Liberdade, é incrivel. E depois descem-se escadas rolantes dentro dum casino e cai-se num mar das milhares de slots, mesas, pessoas. E o calor, de dia e de noite, que tantos detestam e eu adoro, o bafo constante que aquece os ânimos, e ps, tenho quase a certeza que a Chloe Sevigny estava instalada no nosso hotel, e, e...

Aqui nos EUA, dizem de Vegas: não fiquem só uma hora senão detestam, não fiquem mais de um dia, senão já não saem. Nós ficámos 2 dias e saímos. Mas havemos de voltar...



quinta-feira, 13 de maio de 2010

Mais







Grand Canyon (13 de Maio)
















The Grand Canyon

Dia 10 na estrada (13 de Maio)
Não há palavras possíveis para descrever o que é ver o Grand Canyon ao vivo. Eu queria tentar, mas não há prosa ou poesia, fotos ou quadros ou postais que se aproximem sequer.
À primeira vista, sentimo-nos literalmente tontos, num misto de vertigens com assombro, espanto e emoção. O coração dispara mesmo, é esmagador. É tudo aquilo estávamos à espera e muito, muito mais. Não sei o que mais diga deste dia, a não ser que passámos mais de 9 horas no Grand Canyon- que como parque é excelente e funciona muito bem, com autocarros gratuitos de entrada e saida constante para pontos de vista, hoteis la dentro (há mais de 100 milhas de estrada, o desfiladeiro tem mais do triplo), etc. Que vimos alces e milhares de pássaros. Que saímos já de noite, depois de vêr o por do sol no Grand Canyon, algo que eu nem sabia ser possível e que, obviamente, foi maravilhosamente lindo. Que corremos as rotas todas, andámos a pé, espreitamos de todos os cantos ao nosso alcance, conhecemos pessoas, ouvimos histórias, fizemos planos de voltar. Que tentámos ouvir, por entre o burburinho dos turistas, o silêncio do Canyon, que observámos, que meditámos, pasmámos. Que 100 anos que vivamos creio que nunca nos vamos esquecer do que é olhar para o Grand Canyon- a paisagem mais bonita e esmagadora que já vi em toda a minha vida.